Analistas do setor acreditam que o crescimento deve continuar. Algumas previsões indicam que essas marcas podem ultrapassar 15% do mercado britânico até o final de 2026 e chegar perto de 20% em poucos anos, caso o ritmo atual se mantenha.
Alguns fatores ajudam a explicar essa expansão:
Como o Reino Unido possui menos barreiras comerciais contra EVs chineses do que alguns outros mercados, ele acabou se tornando um laboratório para estratégias de expansão global dessas empresas.
Entre as marcas chinesas, a que mais chama atenção em 2026 é a BYD.
Dados de registros indicam que a empresa se tornou a marca de carros elétricos mais vendida no Reino Unido até agora em 2026, superando Tesla, Kia e Volkswagen. A BYD detém mais de 7% do mercado de EVs no país, com mais de 12.700 carros elétricos vendidos até abril.
O crescimento tem sido rápido. Em março, por exemplo, os registros da BYD no Reino Unido saltaram cerca de 134% em relação ao ano anterior, ritmo muito superior ao da Tesla no mesmo período.
A expansão internacional também aparece nos números globais da empresa. A BYD informou 135.098 exportações de veículos de nova energia apenas em abril, crescimento de aproximadamente 70% na comparação anual.
A Tesla continua sendo uma das maiores empresas de veículos elétricos do mundo, mas o cenário competitivo está mudando. Fabricantes chineses têm ampliado a oferta de modelos, incluindo híbridos plug‑in e elétricos mais acessíveis, o que aumenta a pressão em vários mercados.
Enquanto o Reino Unido permanece relativamente aberto às importações, o Canadá adotou uma abordagem mais cautelosa.
Em janeiro de 2026, Canadá e China fecharam um acordo que substituiu a antiga tarifa de 100% sobre EVs chineses por um sistema de cota tarifária.
Nesse modelo:
A implementação começou em 1º de março de 2026, com 24.500 permissões iniciais liberadas nos primeiros seis meses, distribuídas por ordem de solicitação.
Mesmo assim, o impacto potencial é limitado. O teto de 49 mil veículos representa menos de cerca de 3% do mercado de carros novos no Canadá, impedindo uma entrada massiva dessas marcas no curto prazo.
Fabricantes como BYD, Chery e Geely já começaram a contratar funcionários, buscar concessionárias e registrar marcas no país, preparando a entrada — embora as vendas ainda não tivessem começado nos primeiros meses de 2026.
O avanço das exportações chinesas sugere uma mudança estrutural no setor automotivo global.
Na Europa, por exemplo, fabricantes chineses já representam uma fatia crescente das vendas: quase um em cada dez carros vendidos no continente no fim de 2025 veio de marcas chinesas.
Esse crescimento reflete tendências mais profundas:
Vantagem na cadeia de baterias. Empresas chinesas dominam grande parte da produção global de baterias e componentes-chave para EVs.
Concorrência intensa no mercado doméstico. A disputa de preços dentro da China incentiva fabricantes a buscar crescimento no exterior.
Políticas comerciais divergentes. Alguns países mantêm mercados abertos, enquanto outros testam tarifas ou cotas para proteger sua indústria.
O resultado é um setor automotivo em rápida transformação. Em mercados com menos barreiras comerciais — como o Reino Unido — as marcas chinesas estão ganhando participação rapidamente. Em mercados mais cautelosos, como o Canadá, governos tentam equilibrar acesso a veículos mais baratos com preocupações industriais e geopolíticas.
Apesar do impulso atual, alguns fatores podem influenciar o sucesso dessas marcas no longo prazo:
Mesmo com essas incertezas, os sinais de 2026 apontam para uma mudança importante: a China não é mais apenas a fábrica mundial de carros elétricos — suas montadoras estão se tornando protagonistas globais.