Até setembro de 2025, segundo dados da Similarweb citados pela publicação Business Next, o ChatGPT respondia por quase 80% das visitas globais a serviços de chat com IA nos três anos anteriores. Gemini, DeepSeek, Claude, Perplexity, Grok e Copilot ainda apareciam como concorrentes em expansão, mas atrás desse volume.
Isso significa que, no placar do uso ativo de chatbots por consumidores, o Google ainda não é o número um. Só que a corrida da IA não tem um único placar. A TechNews relata que Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, vê a estratégia de integrar chips próprios, data centers, modelos de base e produtos de aplicação como uma vantagem que começa a aparecer nos resultados. A MarketBeat descreve essa força como uma capacidade de co-desenho de ponta a ponta: TPUs, arquitetura de data center e software trabalhando juntos.
Portanto, a pergunta não tem uma resposta simples de sim ou não. Se o critério for tráfego de chatbots, o ChatGPT segue claramente à frente. Se o critério for infraestrutura, nuvem corporativa e distribuição de produtos, o Google ficou muito mais forte.
O primeiro placar é o de tráfego. Ele mede o comportamento de quem procura diretamente um serviço de chat com IA e ajuda a entender qual marca está mais presente no hábito diário do público. Nesse recorte, o ChatGPT ainda tem uma vantagem difícil de ignorar, com quase 80% das visitas globais nos três anos anteriores a setembro de 2025.
O segundo placar é o de infraestrutura e distribuição. O Google não depende apenas do app Gemini. A empresa também controla TPUs, data centers, Google Cloud, modelos Gemini e portas de entrada como Busca, Gmail, YouTube e Android. Isso permite inserir recursos de IA em serviços que as pessoas e empresas já usam, em vez de depender exclusivamente de um aplicativo separado de chatbot.
TPU é a sigla de Tensor Processing Unit, uma linha de chips desenvolvida pelo Google para cargas de IA. Em IA generativa, o jogo não é apenas ter o melhor modelo: também importa quanto custa treinar e rodar esse modelo, quanta energia é consumida e quão estável é o acesso a capacidade de computação.
A TechNews relata que Kurian considera as TPUs e os modelos Gemini uma vantagem em relação a alternativas como AWS Trainium e Amazon Nova, da Amazon, além de Maia e MAI, da Microsoft. A mesma reportagem afirma que, nessa visão, o Google não precisa depender tanto de GPUs caras da Nvidia nem de parcerias externas com empresas como Anthropic ou OpenAI.
Isso não quer dizer que TPU vença GPU em todo cenário. A MarketBeat lembra que chips especializados podem trazer ganhos de eficiência, mas também enfrentam ciclos de desenvolvimento de hardware de cerca de três anos. A leitura mais prudente é: quando a disputa de IA passa a ser limitada por custo, energia, oferta de chips e capacidade de data center, ter TPUs próprias dá ao Google mais margem de manobra.
A competitividade do Gemini não depende só da qualidade do modelo. Depende também de distribuição. A ETtoday relata que o Gemini já foi integrado a produtos como Busca, Gmail e YouTube, formando um ecossistema de IA que atravessa o mercado consumidor e o corporativo. A reportagem também destaca que a escala dos serviços do Google permite levar IA rapidamente a bilhões de usuários.
Entre os exemplos citados estão resumos com IA e AI Mode na Busca, recursos de resumo e automação no Gmail e no Meet, integração ao Android, ferramentas de criação no YouTube e uso em cenários complexos de direção autônoma na Waymo. A Business Next também aponta que o Google está levando modelos de fronteira ao app Gemini, aos AI Overviews da Busca e à plataforma para desenvolvedores AI Studio.
Essa é uma diferença relevante em relação a muitas empresas de IA mais novas. O Google não precisa criar hábito do zero com um único app. Ele pode colocar IA dentro de busca, e-mail, vídeo, sistema operacional móvel e fluxos de trabalho em nuvem.
A corrida da IA não será decidida apenas em apresentações de modelos. Ela também passa por contratos corporativos, uso de nuvem, implantação em empresas e crescimento de receita. Segundo a TechNews, a IA ajuda o Google Cloud a crescer mais rápido que concorrentes. A reportagem cita receita de US$ 17,7 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta anual de 48%, e afirma que a receita anual de 2026 poderia superar US$ 70 bilhões, acima dos US$ 58,7 bilhões registrados em 2025.
Esses números, sozinhos, não provam que o Google venceu o mercado de IA. Mas mostram que a conversa está mudando: não basta ter o modelo mais comentado; é preciso transformar modelos em serviços para empresas, consumo de nuvem e receita sustentável.
| Critério | Leitura mais razoável hoje | Base |
|---|---|---|
| Tráfego de chats de IA para consumidores | O ChatGPT ainda lidera com folga | Até setembro de 2025, a Similarweb apontava o ChatGPT com quase 80% das visitas globais a serviços de chat com IA nos três anos anteriores. |
| Computação e infraestrutura de IA | O Google é um dos jogadores mais completos | Reportagens destacam TPUs, data centers, software, modelos e produtos funcionando de forma integrada. |
| Distribuição de produto | O Google tem uma vantagem rara | O Gemini já aparece em Busca, Gmail e YouTube, com expansão para Android, Meet, Waymo e outras frentes. |
| Nuvem corporativa | O impulso aumentou, mas não decide tudo sozinho | A TechNews cita receita de US$ 17,7 bilhões do Google Cloud no quarto trimestre de 2025, alta anual de 48%. |
| Narrativa de mercado | O Google voltou ao centro da disputa | A Business Next afirma que o Gemini 3 recolocou Google e DeepMind no centro da guerra da IA. |
O principal contra-argumento continua sendo a vantagem de tráfego do ChatGPT. Para muita gente, a primeira associação com assistentes de IA ainda é o ChatGPT, e a fatia de quase 80% das visitas globais a serviços de chat mostra que o Gemini ainda precisa ganhar espaço na cabeça e na rotina dos usuários.
Outro ponto: distribuição não é a mesma coisa que retenção. Colocar o Gemini na Busca, no Gmail, no YouTube, no Android e no Meet ajuda a levar IA a muitos contextos rapidamente. Mas ainda é preciso verificar, com dados posteriores, se esses recursos viram uso frequente, duradouro e monetizável.
Além disso, a corrida da IA não tem um único indicador público que defina o vencedor final. Capacidade dos modelos, custo de inferência, oferta de data centers, adoção por empresas, receita de nuvem, ecossistema de desenvolvedores e hábitos do consumidor são batalhas diferentes. O Google ficou mais forte em infraestrutura, nuvem e distribuição; o ChatGPT segue forte no tráfego de chat para consumidores.
O primeiro sinal é se o Gemini consegue reduzir a distância de uso em relação ao ChatGPT. Enquanto o ChatGPT mantiver grande vantagem em visitas a serviços de chat com IA, o Google continuará tendo um obstáculo importante no mercado consumidor.
O segundo é a adoção externa das TPUs. A MarketBeat relata que as TPUs são oferecidas a clientes pela GCP, o Google Cloud Platform. Se mais empresas passarem a usar essa infraestrutura para seus próprios projetos de IA, o valor das TPUs deixará de ser apenas uma economia interna do Google e se tornará uma vantagem comercial mais ampla.
O terceiro é a frequência real de uso do Gemini dentro de Busca, Gmail, YouTube, Android e outros produtos. As integrações citadas por ETtoday e Business Next mostram uma vantagem de distribuição; a questão decisiva é se os usuários passam a depender desses recursos no dia a dia.
O quarto é a continuidade do crescimento do Google Cloud. Os números citados pela TechNews fortalecem a tese de que a IA pode virar motor de receita para a nuvem do Google, mas o mercado ainda precisará ver se esse ritmo se sustenta.
Não é correto cravar que o Google já é o vencedor final da corrida da IA. O ChatGPT ainda mantém uma vantagem clara nas visitas a serviços de chat de IA para consumidores.
Mas também não faz sentido tratar o Google como um retardatário passivo. TPUs, data centers, Google Cloud, modelos Gemini e a rede de produtos da empresa formam uma combinação difícil de replicar.
A resposta mais precisa é: o Google ainda não venceu silenciosamente toda a corrida da IA, mas conseguiu mudar o foco da competição. O jogo deixou de ser apenas popularidade de chatbot e passou a incluir infraestrutura, distribuição e monetização de longo prazo. Se o futuro da IA for decidido por custo de computação, implantação em nuvem e acesso direto a produtos usados todos os dias, as chances do Google aumentam. Se o critério for a primeira escolha do consumidor ao abrir um assistente de IA, o ChatGPT ainda é o padrão que o Google precisa alcançar.