A queda do Bitcoin abaixo de US$ 80 mil ainda não resolveu a questão central: o fundo do ciclo já passou? Em 30 de outubro, um relatório de Benjamin Cowen apontava a criptomoeda perto de US$ 77,1 mil, depois de dois fechamentos semanais abaixo da região de US$ 83 mil. Ao mesmo tempo, outros analistas falam em exaustão dos vendedores, sentimento contido ou possível início de um mercado de alta — teses diferentes, nenhuma delas uma prova de que US$ 80 mil foi o piso.
37
20
19
Fundo do ciclo não é sinônimo de mercado de alta
Um mercado pode parar de cair antes de iniciar uma recuperação duradoura. A tese-base de Lyn Alden, segundo relatos, é que o fundo do ciclo do Bitcoin já teria ficado para trás. Ela, porém, apresentou essa leitura em termos de probabilidade, não como certeza. Outro relato de sua análise afirma que posições alavancadas foram eliminadas e que muitos operadores de curto prazo deixaram o mercado, enquanto uma nova onda de demanda pode demorar a aparecer. Em outras palavras, menos pressão vendedora não significa necessariamente uma alta imediata.
20
25
Há também uma ressalva importante sobre o preço: dizer que o fundo do ciclo “já passou” não quer dizer que ele tenha ocorrido perto de US$ 80 mil. Uma reportagem sobre a mínima do Bitcoin em 2026 a situou em US$ 57.717, em 30 de junho. Portanto, a expressão pode se referir a uma mínima anterior, e não à faixa atual de negociação.
17
O que os diferentes sinais dos analistas querem dizer
- A tese de Lyn Alden é probabilística. A avaliação relatada parte da possibilidade de que boa parte da pressão vendedora já tenha passado, mas admite um período instável e uma retomada gradual da demanda. É uma tese sobre o fundo do ciclo, não uma confirmação de um novo mercado de alta.
20
25
- Trader Killa vê uma faixa de negociação, mas não um piso garantido. Ele descreveu a formação de uma faixa e de uma estrutura de fundo em torno de US$ 80 mil. Também observou que, após falsos rompimentos, operadores podem continuar tratando as altas como armadilhas — e que ainda seria possível uma nova queda para buscar liquidez.
22
- Michael Sullivan vê uma possível “alta da descrença”. Ele comparou a convicção moderada dos investidores durante a recuperação do Bitcoin com o sentimento que associa à alta de 2015. A analogia sugere que o ceticismo pode persistir durante uma recuperação; não prova que o preço repetirá o mesmo caminho.
24
34
- Mike, do The DeFi Report, tem uma visão otimista, mas condicionada. Ele descreveu o Bitcoin como estando no início de um mercado de alta e apontou a média móvel exponencial de 50 semanas, perto de US$ 76,3 mil, como suporte crucial. Segundo ele, um teste desse nível representaria uma correção de cerca de 12% em relação à máxima relatada de US$ 86,5 mil, em 4 de outubro. A tese depende, portanto, de o suporte se manter — não apenas de o Bitcoin já ter caído bastante.
19
- Markus Thielen olha para o fim do ano. Sua projeção relatada de US$ 90 mil se baseia na ideia de que o aumento da dívida pública, a inflação persistente e uma liquidação global de títulos podem tornar o Bitcoin mais atraente como alternativa a ativos tradicionais de renda fixa. Essa tese de prazo mais longo não elimina a possibilidade de fraqueza no curto prazo.
18
- Benjamin Cowen interpreta a estrutura de preços de forma pessimista. Em sua análise, dois fechamentos semanais abaixo de cerca de US$ 83 mil confirmaram um falso rompimento. Em seu relatório de 30 de outubro, ele também afirmou que o Bitcoin havia perdido a faixa de negociação das cinco semanas anteriores. Essa leitura dá mais peso aos sinais de que a recuperação não se sustentou do que à possibilidade de a pressão vendedora estar se esgotando.
2
37
Por que o Fed e os fluxos do mercado importam
Em 28 de outubro, o Federal Reserve manteve a faixa da taxa básica entre 3,75% e 4%, mas dois dirigentes defenderam um aumento de 25 pontos-base. A decisão, portanto, não foi necessariamente tranquilizadora para investidores preocupados com os próximos passos da política monetária. Ainda assim, o mercado de opções de Bitcoin inicialmente precificou pouco risco adicional, e o preço à vista quase não se mexeu logo após o anúncio.
14
6
Os sinais de demanda também foram mistos. Em 22 de outubro, ETFs spot de Bitcoin dos Estados Unidos registraram saídas líquidas de US$ 635,6 milhões, depois de três sessões consecutivas de entradas. As estimativas de custo médio de aquisição desses ETFs e de empresas acompanhadas ficaram concentradas entre US$ 80 mil e US$ 81,5 mil — uma faixa que ganhou importância enquanto o Bitcoin perdia força.
48
A queda também ocorreu em meio a uma pressão mais ampla nos mercados. Em 22 de outubro, a Bloomberg noticiou que o Bitcoin havia recuado para menos de US$ 82 mil, enquanto o estresse nos mercados globais pesava sobre as criptomoedas. Ether, Solana e XRP também caíram. Esse contexto dá aos pessimistas motivos para questionar o apetite por risco; já os otimistas podem argumentar que a pressão macroeconômica e os fluxos de curto prazo, por si só, não definem o fundo de um ciclo.
47
O que pode ajudar a esclarecer a disputa?
As diferentes perspectivas dependem de testes distintos. Para a tese de Alden, a questão central é se a venda intensa ficou para trás e se a demanda voltará com o tempo. Na leitura de Mike, o principal marco é saber se o suporte perto de US$ 76,3 mil vai resistir. Para Cowen, a perda de US$ 83 mil e, depois, da faixa de cinco semanas são indícios de que a recuperação ainda não se confirmou.
25
19
37
Em 30 de outubro, nenhum desses argumentos comprovava onde ficaria o fundo do ciclo do Bitcoin. A conclusão mais segura é mais limitada: a divisão no Fed, a piora da estrutura de preços e a instabilidade nos fluxos de ETFs dificultam afirmar que US$ 80 mil seja um piso confirmado. E a possibilidade de a mínima do ciclo ter ocorrido antes é uma questão diferente de saber se já começou um mercado de alta sustentado.
14
48
17