A causa da retração é única e claramente identificada: o conflito geopolítico envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã . A crise desorganizou o espaço aéreo, forçou o remanejamento de voos e derrubou a demanda de visitantes internacionais em toda a região . O Oriente Médio funciona como um hub global crítico da aviação, respondendo por cerca de 14% dos passageiros internacionais do mundo — o equivalente a um em cada sete viajantes . Nenhuma outra região enfrenta uma ruptura de espaço aéreo e segurança comparável no cenário-base de 2026 do WTTC. O conselho estima que o conflito já custa à região pelo menos US$ 600 milhões por dia em gastos perdidos de visitantes internacionais .
A despeito do tombo em 2026, o WTTC projeta que o Oriente Médio se tornará o mercado de Turismo que mais cresce no mundo na próxima década, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 6,3% até 2036 . O WTTC descreve a situação como "perturbação de curto prazo e resiliência de longo prazo", com a região superando os ventos contrários atuais e se mantendo como um dos mercados mais fortes do mundo .
Arábia Saudita é o motor principal desse crescimento de longo prazo. O reino contribuiu com cerca de US$ 178 bilhões para o PIB do Turismo regional em 2025, o equivalente a 46% do total . O PIB turístico saudita cresceu 7,4% em 2025 — quase o dobro da média global — impulsionado pela estratégia de diversificação Visão 2030, pelos megaprojetos e pelo turismo de negócios . O WTTC espera que a Arábia Saudita lidere o crescimento regional até 2036 .
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) também devem estar entre os líderes de crescimento, apoiados por investimentos contínuos em infraestrutura e desenvolvimento de destinos . O setor de Turismo dos EAU contribuiu com US$ 68,5 bilhões para o PIB em 2025 .
Omã tem uma trajetória clara: a economia do Turismo deve saltar de US$ 7,9 bilhões em 2025 para US$ 12 bilhões até 2036, sustentada por investimentos em infraestrutura, desenvolvimento de destinos e diversificação econômica .
O Catar representa uma fatia menor do total regional, mas está incluído na trajetória de crescimento anual de 6,3% até 2036, beneficiando-se dos investimentos turísticos pós-Copa do Mundo .
O contexto global torna a situação do Oriente Médio ainda mais destacada. Em 2025, o Turismo contribuiu com recordes de US$ 11,6 trilhões para o PIB mundial (9,8% da economia global), crescendo 4,1% — quase 50% mais rápido que a economia global como um todo, que cresceu 2,8% . O setor sustentou 366 milhões de empregos no mundo, um em cada nove postos de trabalho e um em cada três novos empregos criados .
Para 2026, o PIB global do Turismo deve chegar a US$ 12 trilhões (9,9% do PIB mundial), com crescimento de 3,2%, ante os 2,4% projetados para a economia global . O setor deve gerar 376 milhões de empregos — um em cada nove no planeta . Os investimentos globais no setor ultrapassaram US$ 1 trilhão em 2025, com alta de 8,5% na comparação anual . Olhando mais adiante, o WTTC projeta que o PIB global do Turismo chegará a US$ 17,1 trilhões até 2036 .
O WTTC escolheu a dedo o enquadramento da situação do Oriente Médio. O título oficial no site do conselho é: "Turismo no Oriente Médio enfrenta ventos contrários temporários, mas continua sendo a história de crescimento mais forte do mundo no longo prazo" . A contração de 2026 é tratada como um "revés significativo de curto prazo" causado por tensões geopolíticas, e não por fraquezas estruturais na economia turística da região .
O conselho aponta os enormes pipelines de investimento em andamento — os megaprojetos da Visão 2030 na Arábia Saudita, a expansão de infraestrutura nos EAU, Omã e Catar — como evidência de que os fundamentos de crescimento permanecem sólidos . O WTTC projeta explicitamente que o Oriente Médio "superará os desafios atuais" e reassumirá sua posição como um dos mercados de viagens mais dinâmicos do mundo . Como noticiou o Khaleej Times, o WTTC espera que a região seja a "que mais cresce nos próximos dez anos, liderada por Arábia Saudita, EAU e Omã" .
Para investidores, a principal conclusão é que a queda de 2026 é uma contração causada por eventos com data para acabar, e não uma crise estrutural. As projeções de longo prazo do WTTC sugerem que o capital aplicado hoje em infraestrutura turística no Oriente Médio — especialmente nos projetos da Visão 2030 da Arábia Saudita e no desenvolvimento contínuo dos EAU — será beneficiado por um vento favorável de crescimento de 6,3% ao ano na próxima década . Os dados globais do WTTC reforçam a trajetória do setor: o investimento global em Turismo superou US$ 1 trilhão em 2025 e a contribuição para o PIB deve chegar a US$ 17,1 trilhões em 2036 .
Para os viajantes, o cenário de curto prazo inclui espaço aéreo desorganizado e voos remanejados, mas a perspectiva de médio prazo é de maior conectividade, novos destinos e infraestrutura melhorada, à medida que os investimentos da região saem do papel. Os dados do WTTC indicam que o setor de turismo do Oriente Médio vai emergir dos ventos contrários de 2026 mais forte do que antes — e a caminho de se tornar o mercado de viagens que mais cresce no mundo na próxima década .