O enorme volume de dinheiro enterrado em servidores e data centers está criando um problema contábil que vai corroer os lucros futuros dessas empresas. O Morgan Stanley alerta que a depreciação — o desgaste contábil desses ativos — se tornará um fardo pesado nos próximos anos. Os números são eloquentes:
Os impactos individuais são ainda mais impressionantes. A despesa de depreciação da Alphabet pode quadruplicar até o final de 2028 . Mas o caso mais agudo é o da Oracle: sua despesa anual de depreciação, que foi de cerca de US$ 4 bilhões em 2025, pode inflar para impressionantes US$ 56 bilhões em 2029. Isso equivaleria a aproximadamente 28% de toda a receita esperada para a empresa naquele ano . O jornal Financial Times classificou esse cenário como o “problema do compre agora, contabilize depois” das big techs .
Dentre as cinco gigantes, a Oracle é a que está na situação mais delicada. A projeção é de que sua relação depreciação/receita salte de aproximadamente 7% para alarmantes 28% nos próximos anos . Isso acontece porque a receita da Oracle é significativamente menor que a das concorrentes, fazendo com que a mesma conta de infraestrutura “peso” muito mais em seu faturamento. Os analistas do Morgan Stanley apontam a Oracle como o caso mais visível do descasamento entre o pesado investimento e o retorno financeiro imediato .
Como se os números oficiais não fossem suficientemente preocupantes, uma parcela significativa desses gastos está escondida. O Morgan Stanley destaca que os arrendamentos financeiros (leasing) já estão elevando artificialmente os índices de gastos sobre vendas para além do que os números de caixa mostram . Mais grave ainda: as empresas de tecnologia moveram mais de US$ 120 bilhões em gastos com data centers para fora de seus balanços patrimoniais em menos de dois anos, utilizando estruturas como os chamados “veículos de propósito específico” (SPEs). Isso cria uma alavancagem oculta e riscos de litígio que os investidores comuns não conseguem enxergar com facilidade .
Um relatório separado da Moody’s Ratings reforça o alerta: as cinco maiores hyperscalers dos EUA acumularam US$ 662 bilhões em compromissos futuros de arrendamento de data centers que ainda não começaram e, pelas regras contábeis atuais, permanecem totalmente fora de seus balanços . Essa prática de financiamento já chamou a atenção de senadores americanos, que questionaram abertamente o uso dessas estruturas para esconder dívidas bilionárias do conhecimento do mercado .
O fluxo de caixa operacional dessas empresas, mesmo sendo gigantesco, não é suficiente para bancar a conta da IA. O Morgan Stanley estima que os data centers globais vão exigir impressionantes US$ 2,9 trilhões em gastos de capital até 2028. Desse total, sobra um rombo de financiamento de US$ 1,5 trilhão que precisará ser coberto com capital externo . A estimativa do banco é que essa conta seja paga assim:
A emissão de dívidas para financiar IA já está explodindo. Só em 2025, as hyperscalers emitiram mais de US$ 100 bilhões em títulos de dívida com grau de investimento . O Morgan Stanley espera que essa oferta de dívida aumente entre 30% e 50% em 2026, podendo chegar a até US$ 150 bilhões . Para se ter uma ideia da escala, a agência Reuters noticiou que a emissão anual de dívidas ligadas à IA e data centers saltou de US$ 166 bilhões em 2023 para assombrosos US$ 625 bilhões em 2025 .
O Morgan Stanley não economizou nas comparações históricas para dimensionar o momento atual:
Lisa Shalett, diretora de investimentos da área de wealth management do Morgan Stanley, fez um alerta direto aos investidores. Segundo ela, já é possível ver “rachaduras” no boom de investimentos em IA. “Quando se trata de cenários precificados pelo mercado, acreditamos que estamos mais perto do sétimo inning [do que do primeiro]”, disse, usando a metáfora do beisebol para indicar que o “jogo” de valorização impulsionado pela IA já está mais perto do fim do que do começo .
No fim das contas, o que os dados mostram é que o megaciclo de investimentos em IA, que deve movimentar quase US$ 3 trilhões até 2028 , está criando um ecossistema financeiro complexo, alavancado e com crescentes riscos de solvência. A engenharia financeira, o peso da depreciação e a dependência de dívida reintroduzem no mercado riscos que lembram, de forma nada confortável, os ciclos de euforia e ressaca do passado.
O enorme volume de dinheiro enterrado em servidores e data centers está criando um problema contábil que vai corroer os lucros futuros dessas empresas. O Morgan Stanley alerta que a depreciação — o desgaste contábil desses ativos — se tornará um fardo pesado nos próximos anos. Os números são eloquentes:
Os impactos individuais são ainda mais impressionantes. A despesa de depreciação da Alphabet pode quadruplicar até o final de 2028 . Mas o caso mais agudo é o da Oracle: sua despesa anual de depreciação, que foi de cerca de US$ 4 bilhões em 2025, pode inflar para impressionantes US$ 56 bilhões em 2029. Isso equivaleria a aproximadamente 28% de toda a receita esperada para a empresa naquele ano . O jornal Financial Times classificou esse cenário como o “problema do compre agora, contabilize depois” das big techs .
Dentre as cinco gigantes, a Oracle é a que está na situação mais delicada. A projeção é de que sua relação depreciação/receita salte de aproximadamente 7% para alarmantes 28% nos próximos anos . Isso acontece porque a receita da Oracle é significativamente menor que a das concorrentes, fazendo com que a mesma conta de infraestrutura “peso” muito mais em seu faturamento. Os analistas do Morgan Stanley apontam a Oracle como o caso mais visível do descasamento entre o pesado investimento e o retorno financeiro imediato .
Como se os números oficiais não fossem suficientemente preocupantes, uma parcela significativa desses gastos está escondida. O Morgan Stanley destaca que os arrendamentos financeiros (leasing) já estão elevando artificialmente os índices de gastos sobre vendas para além do que os números de caixa mostram . Mais grave ainda: as empresas de tecnologia moveram mais de US$ 120 bilhões em gastos com data centers para fora de seus balanços patrimoniais em menos de dois anos, utilizando estruturas como os chamados “veículos de propósito específico” (SPEs). Isso cria uma alavancagem oculta e riscos de litígio que os investidores comuns não conseguem enxergar com facilidade .
Um relatório separado da Moody’s Ratings reforça o alerta: as cinco maiores hyperscalers dos EUA acumularam US$ 662 bilhões em compromissos futuros de arrendamento de data centers que ainda não começaram e, pelas regras contábeis atuais, permanecem totalmente fora de seus balanços . Essa prática de financiamento já chamou a atenção de senadores americanos, que questionaram abertamente o uso dessas estruturas para esconder dívidas bilionárias do conhecimento do mercado .
O fluxo de caixa operacional dessas empresas, mesmo sendo gigantesco, não é suficiente para bancar a conta da IA. O Morgan Stanley estima que os data centers globais vão exigir impressionantes US$ 2,9 trilhões em gastos de capital até 2028. Desse total, sobra um rombo de financiamento de US$ 1,5 trilhão que precisará ser coberto com capital externo . A estimativa do banco é que essa conta seja paga assim:
A emissão de dívidas para financiar IA já está explodindo. Só em 2025, as hyperscalers emitiram mais de US$ 100 bilhões em títulos de dívida com grau de investimento . O Morgan Stanley espera que essa oferta de dívida aumente entre 30% e 50% em 2026, podendo chegar a até US$ 150 bilhões . Para se ter uma ideia da escala, a agência Reuters noticiou que a emissão anual de dívidas ligadas à IA e data centers saltou de US$ 166 bilhões em 2023 para assombrosos US$ 625 bilhões em 2025 .
O Morgan Stanley não economizou nas comparações históricas para dimensionar o momento atual:
Lisa Shalett, diretora de investimentos da área de wealth management do Morgan Stanley, fez um alerta direto aos investidores. Segundo ela, já é possível ver “rachaduras” no boom de investimentos em IA. “Quando se trata de cenários precificados pelo mercado, acreditamos que estamos mais perto do sétimo inning [do que do primeiro]”, disse, usando a metáfora do beisebol para indicar que o “jogo” de valorização impulsionado pela IA já está mais perto do fim do que do começo .
No fim das contas, o que os dados mostram é que o megaciclo de investimentos em IA, que deve movimentar quase US$ 3 trilhões até 2028 , está criando um ecossistema financeiro complexo, alavancado e com crescentes riscos de solvência. A engenharia financeira, o peso da depreciação e a dependência de dívida reintroduzem no mercado riscos que lembram, de forma nada confortável, os ciclos de euforia e ressaca do passado.