Executivo da AMD projeta normalização dos preços do DDR5 apenas para 2028, culpando o direcionamento maciço da produção para memórias HBM de inteligência artificial [1][3][5]. Desde o início da crise, módulos DDR5 de 16 GB saltaram de US$ 10 para US$ 35 (3,5 vezes), enquanto o mercado geral de DRAM acumula alta de 1...

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A memória RAM deixou de ser só um componente; virou um artigo de luxo. E a má notícia, diretamente da boca de um dos principais executivos da AMD, é que essa realidade veio para ficar. David McAfee, Vice-Presidente Corporativo e Gerente Geral da divisão de clientes da AMD, afirmou durante a Computex 2026 que os preços da memória DDR5 levarão cerca de dois anos para voltar ao patamar anterior à crise . Na prática, montar ou turbinar um PC gamer vai continuar doendo no bolso durante todo o ano de 2027, com uma normalização real só no horizonte de 2028.
O cerne do problema não é escassez de fábricas — elas estão sendo construídas e expandidas. O problema é para quem elas estão produzindo.
Os três fabricantes que dominam o planeta — Samsung, SK Hynix e Micron — estão ampliando sua capacidade, sim, mas o foco deixou de ser a memória DRAM que vai no seu notebook e no meu desktop . A prioridade absoluta se chama HBM (High-Bandwidth Memory). Essa é a memória de alto desempenho e margem de lucro estratosférica que equipa as GPUs de data center, como as da Nvidia, que estão por trás do atual "boom" da inteligência artificial. McAfee foi direto: as três gigantes globais “simplesmente não se importam com a DDR4/DDR5 de consumo” neste momento
.
O resultado é uma equação cruel de soma zero: cada lâmina de silício usada para produzir uma pilha de memória HBM para um servidor de IA é uma lâmina que deixou de produzir módulos DDR5 para o mercado consumidor . Estimativas do setor indicam que só a tecnologia HBM deve consumir uns 23% de toda a capacidade global de produção de DRAM em 2026, enquanto a carga de trabalho de IA, no total, vai abocanhar cerca de 20% da produção total de DRAM do mundo
.
Para piorar, a indústria vinha, nos últimos dois anos, aposentando intencionalmente as linhas de produção da DDR4 para migrar tudo para a DDR5 . Só que essa capacidade "nova" de DDR5 está sendo engolida pelo mercado de servidores de IA, e o consumidor final ficou a ver navios.
O estrago financeiro é histórico e está registrado nos números do atacado. Dados de abril de 2026 mostram uma escalada sem freio:
E não se engane achando que é um problema só da tecnologia de ponta. DDR4, DDR5 e memória flash NAND, somadas, já ultrapassaram a barreira dos 200% de aumento acumulado desde o começo de 2025 .
Há um fio de esperança vindo da China. A fabricante CXMT (ChangXin Memory Technologies) está realmente avançando na produção de DDR5 , mas McAfee ponderou que o volume ainda é insuficiente para mudar o jogo global no curto prazo. Por isso, sua previsão é de que este ciclo — que naturalmente já seria doloroso por se tratar do mercado de memórias — "vai durar muito mais tempo" do que as crises anteriores
.
A crise das memórias já está reescrevendo as estratégias de produto das grandes empresas de tecnologia.
O mercado de PCs vai despencar. O setor caminha para sua maior contração desde o colapso de demanda de 2022, um tombo diretamente ligado ao encarecimento das memórias, que jogou os preços dos computadores para cima e para longe do bolso do consumidor . Em um movimento que diz muito sobre a gravidade da situação, a própria AMD admitiu publicamente estar explorando a ideia de "ressuscitar" produtos antigos das plataformas AM4/Ryzen, que são compatíveis com a memória DDR4 (mais barata). David McAfee confirmou que a empresa está "definitivamente explorando todas as opções disponíveis para aumentar a oferta e reintroduzir produtos no mercado" que deem ao consumidor uma alternativa de upgrade de PC acessível, contornando o muro dos preços do DDR5
. As fabricantes de PCs prontos também estão recorrendo a downgrades em outros componentes, como armazenamento ou processadores de categoria inferior, simplesmente para conseguir manter o preço de etiqueta estável
.
Smartphones entram na dança. A crise vazou do PC para o celular. Smartphones usam a memória LPDDR5, uma versão de baixo consumo da DDR5, que vem exatamente do mesmo suprimento industrial estrangulado . Com os servidores de IA adotando também a variante LPDDR5X em seus novos processadores, a memória de classe smartphone enfrenta sua própria escassez por tabela — o que empurra para cima o preço dos aparelhos e leva as fabricantes a reduzir a quantidade de RAM em alguns modelos
. O cenário está tão apertado que até a velha DDR3, jurássica para os padrões atuais, viu sua demanda renascer como alternativa de baixo custo para alguns dispositivos
.
Enquanto as crises anteriores de chips, como a de 2020–2023, nasceram de gargalos logísticos da pandemia que eventualmente se normalizaram, esta crise é uma mudança estrutural de demanda. O apagão de 2024 em diante, apelidado lá fora de "RAMmageddon" (algo como "RAMagedom"), é movido pela realocação sistêmica e de altíssima margem da capacidade industrial rumo à infraestrutura de inteligência artificial. Ela não vai se resolver até que uma quantidade massiva de novas fábricas entre em operação. E, pelo que diz quem entende do riscado, essa conta não fecha antes de 2028.
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Executivo da AMD projeta normalização dos preços do DDR5 apenas para 2028, culpando o direcionamento maciço da produção para memórias HBM de inteligência artificial [1][3][5].
Executivo da AMD projeta normalização dos preços do DDR5 apenas para 2028, culpando o direcionamento maciço da produção para memórias HBM de inteligência artificial [1][3][5]. Desde o início da crise, módulos DDR5 de 16 GB saltaram de US$ 10 para US$ 35 (3,5 vezes), enquanto o mercado geral de DRAM acumula alta de 171% ano contra ano e ultrapassa 200% em diversos segmentos [6][10][20].
A crise respinga em PCs e smartphones, forçando downgrades de especificações e levando a própria AMD a cogitar a ressurreição de processadores antigos com suporte a DDR4 como rota de fuga para o consumidor [11][13].