A pesquisa da Bain revela uma desconexão gritante entre expectativa e realidade. Quarenta por cento das empresas relataram reduções de custo de 10% ou menos, um número que contrasta fortemente com as projeções mais ambiciosas que normalmente embasam os casos de negócio para IA . No mercado em geral, apenas 23% das empresas conseguem vincular diretamente suas implantações de IA generativa a novas receitas ou à redução de custos, deixando a maioria incapaz de quantificar um impacto nos resultados financeiros .
Esse desempenho abaixo do esperado não se limita a um único setor. A pesquisa abrangeu varejo, tecnologia, manufatura avançada e vários outros segmentos, todos mostrando padrões semelhantes de déficit na redução de custos . O problema é particularmente grave, considerando que 72% das empresas monitoram a economia de custos como sua principal métrica de automação, mas muitas não estão vendo esses números se materializarem em escala .
O problema estrutural central que a pesquisa revela é que as empresas estão financiando mais investimentos em IA com base em economias que ainda não chegaram. Muitos executivos estão aprovando gastos crescentes com IA com a explícita expectativa de que a automação trará reduções de custos compensatórias; quando essas economias não aparecem, o modelo de financiamento começa a parecer precário .
Essa dinâmica é parte de um padrão maior que a Bain observou em sua pesquisa "B2B Growth Agenda". Embora as empresas esperem taxas de crescimento de receita significativamente maiores — 20% a mais em 2026 em comparação com o ano anterior —, muitas carecem das capacidades de IA e das bases de dados necessárias para atingir essas metas. Sessenta por cento dos líderes pesquisados admitem não ter a infraestrutura de dados ou a tecnologia necessárias para escalar a IA de forma eficaz .
Os números sustentam essa ansiedade. Os CFOs estão planejando aumentar significativamente os gastos corporativos com IA: 83% esperam aumentar os orçamentos de IA em mais de 15% nos próximos dois anos, e 42% planejam aumentos de 30% ou mais nesse período . No entanto, apenas cerca de 23% dos executivos pesquisados podem, no momento, apontar resultados mensuráveis de receita ou custo com a IA generativa . Essa assimetria — crescimento agressivo de gastos contra retornos realizados tímidos — é o que a Bain está sinalizando como a desconfortável realidade estrutural.
A pesquisa da Bain e análises anteriores sugerem que a solução não é recuar nos investimentos em IA, mas mudar fundamentalmente a forma como as empresas buscam economizar com ela. A firma recomenda que as empresas parem de tratar a IA como um acessório isolado que gerará reduções de custo automáticas. Em uma análise separada, a Bain argumenta que apenas os ganhos de produtividade não criarão ROI para as empresas que investem em IA generativa, e que "empresas líderes estão a caminho de alcançar economias de custos de até 25% ao combinar o redesenho de processos de ponta a ponta com a implantação de ferramentas de IA generativa" .
Na prática, isso significa incorporar a IA em revisões operacionais mais amplas, em vez de apenas sobrepô-la aos fluxos de trabalho existentes. A pesquisa da Bain sobre automação reforça isso: as empresas que mais investiram em automação — definidas como aquelas que gastam pelo menos 20% do seu orçamento de TI nisso — alcançaram uma economia média de custos de 22%, em comparação com pouco menos de 8% para empresas que investiram menos de 5% . As empresas que veem os melhores resultados não apenas implantam mais IA; elas a implantam dentro de processos redesenhados que eliminam trabalho em vez de apenas acelerar as etapas existentes .
A Bain também enfatiza que as vencedoras em crescimento implantam significativamente mais casos de uso do que as retardatárias — uma média de 4,5 em comparação com apenas 3,3 — e alcançam quase o dobro da eficiência de custos para qualquer caso de uso . A recomendação mais ampla da firma é parar de medir o sucesso da IA apenas pela implantação e, em vez disso, vinculá-lo a resultados financeiros e de processo claramente definidos, apoiados pela arquitetura de dados e tecnologia subjacente que 60% das empresas atualmente não possuem .
A pesquisa da Bain, divulgada em 1º de junho de 2026, chega num momento em que os gastos corporativos com IA estão acelerando, mesmo com o ROI permanecendo indefinido para a maioria das empresas. A própria Bain calculou separadamente que a construção global de capacidade computacional necessária para atender à demanda de IA até 2030 pode exigir US$ 500 bilhões em investimento de capital anual e US$ 2 trilhões em novas receitas anuais para ser financiada de forma sustentável — um valor que nem mesmo as projeções de economia mais otimistas alcançam . Portanto, o atual fracasso em gerar economia não é apenas uma decepção tática; é um alerta de que o modelo de financiamento que sustenta a IA corporativa está em uma trajetória insustentável para muitas empresas.
A conclusão mais urgente da pesquisa é que as empresas não podem se dar ao luxo de tratar o investimento em IA como um ato de fé, lastreado por planilhas de economia que nunca se concretizam. Em vez disso, elas precisam reconstruir a ponte entre a ambição e a realidade operacional, começando com o redesenho de processos e uma medição clara se as prometidas reduções de custo estão realmente aparecendo no balanço financeiro.