As próprias reportagens não usam exatamente a mesma formulação. Alguns textos de 6 de maio afirmaram que a Samsung ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez. Mas uma reportagem de 27 de fevereiro já havia dito que a companhia tinha cruzado esse patamar com base em dados de 26 de fevereiro de 2026.
Por isso, a pergunta mais útil não é apenas se foi primeira vez ou retorno. O ponto relevante é que a Samsung passou a ser tratada por diferentes veículos como uma empresa na faixa de US$ 1 trilhão, e essa reprecificação foi associada principalmente à memória para IA.
O movimento que levou o tema às manchetes foi a forte alta das ações. A Gotrade informou que a Samsung ultrapassou US$ 1 trilhão em valor de mercado após um salto diário de 12%. A Kaohoon International e a Fortune India apontaram uma alta próxima de 13% no pregão.
A Fortune India também reportou que o valor de mercado da Samsung tocou 1,5 quatrilhão de won, cerca de US$ 1,03 trilhão. Em termos simples: quando uma empresa desse tamanho sobe dois dígitos em um único dia, o valor de mercado muda de patamar rapidamente.
Esse movimento não ficou isolado. As mesmas reportagens relacionaram a alta da Samsung a um rali mais amplo das ações de semicondutores de memória e ao avanço do Kospi, o principal índice da Bolsa da Coreia do Sul.
A ligação entre Samsung e IA passa menos por aplicativos e mais pela infraestrutura. Para treinar e rodar modelos de inteligência artificial, grandes data centers usam aceleradores, servidores e memória de alta performance. Nesse contexto, HBM — sigla para High Bandwidth Memory, ou memória de alta largura de banda — virou um componente crucial.
Uma análise da Investing.com afirmou que as expectativas para o primeiro trimestre de 2026 da Samsung foram impulsionadas pela forte demanda por chips de memória ligados à IA, especialmente HBM usada em data centers. A Kaohoon International também associou a valorização das ações à demanda robusta por hardware de IA e à posição da Samsung em HBM.
Em outras palavras, o mercado não está olhando a Samsung apenas como fabricante de celulares, TVs ou eletrodomésticos. A empresa está sendo avaliada como uma peça relevante da cadeia de suprimento da IA, especialmente no lado de memória.
Temas de mercado sobem e descem rápido. O que tornou o caso da Samsung mais forte foi a percepção de que a demanda por IA já estava aparecendo nas projeções de resultado.
Segundo a Investing.com, a orientação preliminar da Samsung para o primeiro trimestre de 2026 apontava receita consolidada de cerca de 133 trilhões de won, aproximadamente US$ 100 bilhões, e lucro operacional de 57,2 trilhões de won, cerca de US$ 37,9 bilhões. A análise descreveu esse lucro como o maior lucro operacional trimestral da história da companhia e mais de 800% acima do ano anterior.
A KED Global também informou que analistas viam espaço para valorização adicional das ações diante de revisões positivas de lucro ligadas ao investimento em infraestrutura de IA, à força nos preços de memória e à melhora da competitividade em semicondutores avançados.
Essa é a chave: a IA deixou de ser apenas uma história promissora e passou a alimentar estimativas mais altas de lucro. Quando isso acontece, investidores tendem a aceitar pagar múltiplos maiores pela empresa.
A Samsung se beneficia de um setor cíclico. Em momentos de excesso de oferta, preços de memória caem e margens sofrem. Em momentos de escassez ou demanda muito forte, a lógica se inverte.
O Chosun English relatou que o aumento da demanda por memória para IA elevou o otimismo de instituições financeiras globais em relação à Samsung e à SK Hynix. A reportagem também citou expectativas de que a escassez de chips de memória e os investimentos contínuos em infraestrutura de IA sustentem crescimento estrutural de lucros para empresas sul-coreanas de semicondutores.
A KED Global reforçou a mesma linha ao apontar preços mais fortes de memória e melhora nas perspectivas de lucro como parte importante da tese de investimento em Samsung. Assim, o valor de mercado de US$ 1 trilhão não reflete apenas uma alta pontual de ação, mas uma mudança de percepção sobre o ciclo de memória.
Algumas reportagens destacaram que a Samsung teria se tornado a segunda empresa asiática, depois da TSMC, a superar US$ 1 trilhão em valor de mercado. Essa comparação é importante porque coloca a Samsung no mesmo debate das grandes fornecedoras da infraestrutura global de IA.
Ainda assim, há condições para essa avaliação se sustentar. A demanda por HBM e memória para data centers precisa continuar forte. As projeções de lucro e os preços de memória precisam seguir favoráveis. E, como os relatos diferem sobre o momento exato em que o patamar de US$ 1 trilhão foi cruzado, o número final deve ser conferido com dados oficiais de mercado, câmbio e fechamento.
A lógica por trás do valor de mercado de US$ 1 trilhão é relativamente clara: o boom de IA aumentou a demanda por HBM e outros chips de memória; essa demanda elevou expectativas de receita e lucro; e as ações reagiram com uma alta forte, levando a Samsung ao patamar de US$ 1 trilhão nas reportagens de mercado.
A nuance é que o marco pode aparecer como primeira vez ou como retorno, dependendo da fonte e do critério usado. Para entender o movimento, porém, o mais importante é acompanhar se a demanda por memória para IA, o ciclo de preços e as revisões de lucro continuarão fortes o bastante para sustentar essa nova avaliação da Samsung.